domingo, 18 de maio de 2014

Ex-Funcionários do IDORT divulgam nota de esclarecimento sobre manifestação de 15 de Maio na Avenida Paulista.



NOTA DE ESCLARECIMENTO DOS EX-FUNCIONÁRIOS DO IDORT - SOBRE MANIFESTAÇÃO 


No dia 15 de maio de 2014, ex-funcionários do IDORT - Instituto de Organização Racional do Trabalho - compareceram à sede da empresa, na Av. Paulista, para uma manifestação em prol do pagamento dos seus direitos trabalhistas. Desde 01 de abril de 2014, estas pessoas perderam seus trabalhos, devido à não renovação do convênio da Prefeitura de São Paulo com o IDORT. Os motivos que levaram à descontinuidade do Programa Telecentros não são relevantes para o propósito desta nota de esclarecimento. Os ex-funcionários reivindicavam que o IDORT honrasse com os seus compromissos, pagando o aviso prévio e as rescisões de todos. Isso não seria necessário se o Instituto já tivesse realizado o pagamento, na data correta, em conformidade com as leis trabalhistas. 


Há meses que o IDORT não vinha agindo com idoneidade e transparência para com os seus funcionários. Vários atrasos de pagamento e benefícios ocorreram nos últimos tempos, sem o pagamento de multas ou mesmo explicações aos colaboradores. O silêncio sempre predominou. O Instituto, que está no mercado há mais de 80 anos, não teve a sensibilidade de perceber que centenas de trabalhadores estavam cada vez mais angustiados e sentindo-se desrespeitados com a falta de satisfação. Porém, o que já estava ruim, piorou, ficou inaceitável. Mesmo após um longo período de desavenças com a Prefeitura de São Paulo, devido ao valor dos repasses que o órgão público municipal faz mensalmente ao IDORT, este não conseguiu administrar suas finanças com a competência necessária para que fosse possível realizar o pagamento das rescisões de seus funcionários. 


Como já citado, as atividades dos Telecentros de São Paulo foram suspensas no dia 01 de abril. No dia 07 de abril de 2014, centenas de funcionários do Instituto, que trabalhavam nestes Telecentros, assinaram o aviso prévio. Até aí, nada de errado. Contratos são encerrados. Empresas demitem funcionários. No entanto, os funcionários tiveram de assinar um aviso prévio trabalhado, mesmo sem ter onde e como executar o seu trabalho. O aviso ainda foi assinado com data retroativa - 03 de abril de 2014 - a pedido do Sr. Wagner Fernandes, na época gestor do IDORT. Não basta ser nenhum especialista em direito trabalhista para saber que estes procedimentos adotados pela empresa não estão corretos. Mas, aos funcionários, que alternativa restava, se não assinar o aviso prévio nas condições em que o IDORT impôs?

Para que os colaboradores que haviam trabalhado normalmente no mês de março recebessem o pagamento, no quinto dia útil de abril, foi um transtorno. Os vencimentos foram depositados com atraso, mais uma vez, e somente após centenas de ex-funcionários se manifestarem em frente à sede Prefeitura de São Paulo e do IDORT.


O IDORT passou a transferir para a Prefeitura de São Paulo toda a responsabilidade por não pagar os seus funcionários corretamente. Não entrando novamente nesta questão, apenas deve-se ressaltar que os funcionários dos Telecentros são contratados pelo IDORT. Este Instituto, presumi-se, assumiu o bônus e o ônus de manter um contrato milionário com o poder público por quase 09 anos. Houve bônus, certamente, pois a Entidade sempre quis renovar este vínculo com a Prefeitura, inclusive participou e venceu outra licitação, em 2009. Em havendo ônus, este não pode ser transferido aos trabalhadores, como ocorreu nos últimos tempos, e especialmente agora, com o término do contrato.


O aviso prévio dos colaboradores se encerrou no dia 02 de maio de 2014. Todos, por lei, deveriam receber o aviso prévio junto das rescisões trabalhistas no dia 05 de maio. Não ocorreu. A empresa passou, desde início de abril, a adotar a política de evitar qualquer contato com os seus ex-funcionários. O telefone parou de funcionar. Emails não eram respondidos. Ex-colaboradores muitas vezes eram impedidos de entrar na Empresa, para tirar dúvidas sobre sua situação. Sem telefone, sem internet, sem notas de esclarecimentos, sem reuniões explicativas. Funcionários que não assinaram o aviso prévio no dia 07 de abril, por estarem em período de estabilidade na ocasião, não tinham uma resposta sobre quando seriam desligados, já que continuavam contratados e estavam sem trabalhar. Situação desesperadora. Apenas ouviam do RH do IDORT, com rispidez peculiar deste Departamento da Empresa, que deviam aguardar um contato deles. Alguns se dirigiam ao Instituto, e conseguiam ser atendidos, muitas vezes do lado de fora do prédio. Porém, sempre por um funcionário despreparado e sem credibilidade, que também estava na mesma situação dos demais. A diretoria continuava ausente.


Após 45 dias sem trabalho (completados no dia 15 de maio), sem receber o salário e rescisões, sem receber explicações por parte da empresa, os funcionários organizaram uma manifestação em frente à sede do IDORT. A manifestação teve início às 10h. Dezenas de funcionários fecharam a Av. Paulista, sentido Consolação, expuseram os seus cartazes e cobraram os seus direitos. Pedia-se a presença de executivos do IDORT para explicar quando iriam receber. O que é completamente compreensível, já que muitos funcionários estão passando necessidades. A manifestação foi a única maneira encontrada de abrir canal com a empresa. O protesto na Paulista, totalmente pacífico, foi noticiado nas principais emissoras de televisão (Globo, Record, Band, GloboNews), inclusive com link ao vivo, na Rede Globo, dentro do "SPTV 1ª edição", e à tarde, no "Radar SP". Portais de notícias também cobriram o evento. Após horas embaixo do sol, pleiteando que a comissão que representa os funcionários dos Telecentros fosse atendida pela Diretoria da empresa, os funcionários que protestavam na Avenida Paulista decidiram entrar na sede do IDORT, no 1º andar do edifício localizado no numero 1294 da Avenida. Não houve invasão. As catracas foram liberadas e, conforme devem provar as câmeras de segurança, ninguém ali estava com nenhum propósito que não o de receber explicações sobre o dinheiro que o IDORT lhes devia. Os funcionários foram até o hall do 1º andar do prédio, em frente à entrada do IDORT.


A comissão de funcionários dos Telecentros foi, finalmente, atendida pelo Consultor Financeiro do IDORT, Sr. Mario Sergio Romando de Andrade. A reunião perdurou por horas, e nenhuma solução foi apresentada por parte da empresa. Novamente transferindo a responsabilidade por não arcar com os direitos trabalhistas dos funcionários à Prefeitura de São Paulo, Mario Sergio disse que não havia como garantir a data em que os trabalhadores receberiam, e nem, se receberiam. Sugeriu até que procurassem os seus direitos na justiça. Foi proposto também que a comissão escolhesse alguns colaboradores para receber, aqueles que "estivessem mais necessitados". Diante de tal proposta absurda, a comissão explicou a Mario que os colaboradores que estavam no hall do andar precisavam receber esta informação do conteúdo da reunião da boca dele, para que houvesse o máximo de transparência possível.

Os colaboradores que estavam no hall, entraram nas instalações do IDORT e se acomodaram no corredor, de onde ouviram as explicações do Sr. Mario Sergio. Este se comprometeu com os funcionários a providenciar, no dia seguinte, um documento oficial da empresa declarando que não possui no momento recursos financeiros para pagar os direitos trabalhistas dos funcionários, e que não haveria uma previsão para tal. A pedido dos ex-funcionários, Mario realizou a ata da reunião com a comissão. Nesta ata inclusive consta que o IDORT providenciaria tal documento no dia seguinte.

Enquanto Mario elaborava a ata, alguns policiais militares chegaram com tranquilidade às instalações do IDORT, chamados pela administradora do Condomínio. Esta alegou que recorreu à polícia pois precisava dar uma satisfação aos outros condôminos, e mostrar que foram tomadas ações, da parte dela e sua empresa, para evitar algum possível tumulto nas áreas comuns do edifício. Os policiais constataram que estava tudo em paz, que não havia invasão, e ninguém estava ali à força. Tanto que ficaram alguns minutos conversando com os funcionários, e foram embora, sem a realização de um boletim de ocorrência. Após receber do Sr. Mario Sergio a ata do encontro, assinada por ele, os ex-funcionários deixaram a sede do Instituto.


No dia 16 de maio de 2014, ao invés de disponibilizar em seu site o documento prometido, o IDORT postou uma nota mentirosa, acusando seus ex-colaboradores de invasão, cárcere privado, terrorismo, ameaças, entre outras calúnias. O fato do IDORT não ter postado o documento prometido não surpreendeu aos ex-funcionários, pois estes já conhecem a postura e falta de credibilidade da empresa em que trabalhavam. O que surpreendeu, foi a tentativa baixa e covarde de tentar reverter a situação, colocando o Instituto na posição de vítima, enquanto que os trabalhadores que estão sem receber seus pagamentos e apenas querem os seus direitos, como "criminosos".


Os trabalhadores que participaram da manifestação neste dia esclarecem que:


- Não houve "invasão", "forçamento de catracas" e "ameaças à seguranças do condomínio"; As catracas foram liberadas. Os seguranças do condomínio não foram ameaçados, pelo contrário, se mostraram bastante profissionais em todos os momentos, e auxiliaram para que tudo corresse de forma tranquila.
- Não houve "cárcere privado". Durante todo o dia, funcionários internos do IDORT saíram e entraram no momento em que quizeram. O que aconteceu é que alguns deles estavam com receio de sair, ou de entrar no prédio, e ser agredido verbal ou fisicamente, o que em nenhum momento ocorreu.
- A nota do IDORT cita que houve "níveis intoleráveis de violência". Não houve nenhuma violência, ninguém foi agredido verbalmente ou fisicamente. Há muitas formas de se provar isso. Admira-nos que o Instituo não saiba disso.
- "Terror Psicológico" é o que faz esta empresa com as suas centenas de funcionários. Muitos já estão passando necessidades e/ou ficando doente por conta do IDORT não honrar com os seus compromissos. Muitos trabalharam por anos, para sair sem receber um centavo, e nem ao menos ter, por parte da empresa, uma tentativa de diálogo, de esclarecimento, uma satisfação. Precisou ser feita uma manifestação com repercussão na televisão para que este Instituto, que se diz transparente e idôneo, recebesse os seus colaboradores. Foram 45 dias de angústia, sendo tratados com descaso e muitas vezes com desprezo por determinadas funcionárias do RH. Foram 45 dias de silêncio, de tentativa de subir no prédio para tirar dúvidas, e ser atendido no pátio do térreo, muitas vezes por telefone celular, como marginais. Foram 45 dias em que o IDORT subestimou os seus ex-colaboradores demonstrando, através de suas ações, que eles não mereciam ser tratados com dignidade.


É importante que esta nota esclareça que todas as declarações aqui prestadas, podem ser provadas. Os funcionários são mais organizados do que o Instituto imagina. Deixa-se claro que a manifestação do dia 15 de maio mostrou ao Instituo que não se joga com vidas humanas. As pessoas se unem na hora do revés, e ficam mais fortalecidas. Muitos ex-colaboradores não compareceram à manifestação, pois não possuíam sequer o dinheiro do transporte. Outros, já conseguiram outros trabalhos. O que se deve ressaltar é que não tem um colaborador sequer que esteja saindo do IDORT com uma boa imagem desta empresa. Quando se verifica que 600 funcionários não veem motivos para olhar para trás e se orgulhar de ter trabalho neste Instituto, algo deve estar errado, não?


Por mais que o IDORT queira responsabilizar a Prefeitura de São Paulo por suas falhas, nós ex-funcionários dos Telecentros estamos cientes que houve, e certos de que caberia ao IDORT resolver toda esta situação, sem precisarmos nos manifestar. O que, infelizmente, não ocorreu. É triste para nós funcionários lermos esta nota de repúdio que o IDORT postou ontem em seu portal. Acusando e ameaçando seus próprios ex-funcionários, quando está evidente que o que houve foi falta de competência para evitar que essa situação sequer se iniciasse.


Esta nota reconhece que alguns ânimos estavam sim um pouco exaltados no dia da manifestação. Mais pela demora no atendimento por parte da direção da empresa, e pela demora no retorno da reunião com a comissão e o Sr. Mario Sergio, do que por qualquer outro motivo. Tanto que não houve nenhum ato de vandalismo e nenhuma avariação nas instalações do IDORT. Todos entraram e saíram civilizadamente, como comprovam testemunhas externas. A nota de repúdio emitida pelo IDORT serviu para colocar TODOS os ex-colaboradores do Programa Telecentro contra eles, dando-lhes mais munição e energia para que sejam movidas ações trabalhistas, pleiteando os direitos trabalhistas e muitas outras coisas. E também para sujar ainda mais o nome desta Instituição, processo irreversível e que está apenas começando.

Os funcionários esclarecem que não serão intimidados por acusações caluniosas, e que continuarão lutando por seus direitos, com todas as armas disponíveis e legais.


Ao Sr. Mario Sergio Romando de Andrade, é a nossa vez de repudiarmos a falta de palavra e compromisso.

“Aos demais colaboradores do IDORT, que ainda não conseguiram se desvincular desta empresa antes que a mesma ‘termine de cavar a sua própria cova”, algo que sabe fazer com maestria, o nosso "até breve, daqui a pouco você estará junto de nós".

"As duas coisas mais importantes de uma empresa não aparecem nos seus demonstrativos financeiros: sua reputação e suas pessoas" (Henry Ford).




São Paulo, 17 de maio de 2014.




Autores: Ex-colaboradores do IDORT
Reprodução: Blog "Voz da Capital"

Um comentário:

  1. Todos tem direito de resposta, porém, poucos podem comprovar e nós funcionários temos!

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